Rádio.
Para a maior parte das pessoas a palavra "Rádio" significa transmissão de palavra e música, e de uma maneira menos alargada, comunicação com ou entre veículos em movimento, tais como automóveis, barcos ou aviões ou entre dois pontos. A primeira das formas de comunicação do homem foi através dos sons, tal como entre os outros animais. Estes sons transformaram-se gradualmente na fala do homem moderno, que usa a linguagem como um código. Perto do final do Séc. XIX, o homem só era capaz de transmitir sinais a pequenas distâncias sem o uso de fios, quando em 1901 Marconi ultrapassou o Oceano Atlântico. A velocidade da transmissão passa entretanto a alcançar a velocidade da luz. As mensagens eram inicialmente transmitidas utilizando um código telegráfico, somente depois foi possível a transmissão da voz. Surgiu então a transmissão de música para entretenimento, e da palavra para nos manter a par do que se passava no Mundo.
Decorria o ano de 1922, os jornais descobriam a Rádio e o então secretário de comércio Norte-americano anunciava esse acontecimento como “uma das coisas mais deslumbrantes que apareceram na minha análise da vida americana”. A Rádio entrou de rompante na sociedade americana, tendo-se tornado em poucas semanas como um pólo preferencial de admiração entre a opinião pública, comparável à que sentia na altura pela imprensa. Nessa altura a própria imprensa escrevia que “num ano o fenómeno Radiofónico converteu-se no entretenimento mais popular dos Estados Unidos. Se existir alguém que não possui um aparelho de rádio é porque ou não tem imaginação ou porque não tem dinheiro”. A Rádio era sem duvida alguma, a estrela dos Estados Unidos nas décadas de 30 e 40 marcando o início da modernidade. A rádio era um factor agregador da sociedade, era ouvida por muita gente durante muito tempo seguido, e como não dava qualquer trabalho a “consumir”, podia ser apreciada enquanto desenrolavam as normais actividades profissionais ou de lazer. A rádio teve também um grande desenvolvimento com a exploração da vertente comercial, através dos anúncios de publicidade a determinados produtos ou serviços. A rádio tem alma, a rádio é vida, pelo que não pode nunca parar.
No entanto, no último trimestre a rádio perdeu 300 mil ouvintes.
No primeiro trimestre de 2006 a rádio registou uma quebra de mais de 300 mil ouvintes, em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto em 2005 o primeiro trimestre do ano apresentava uma Audiência Acumulada de Véspera (AAV) superior aos 60,6%, os números deste ano não vão além dos 56,9%, uma redução de quase 4% que representa cerca de 300 mil ouvintes.
Face a estes resultados torna-se cada vez mais importante que os operadores procurem valorizar o seu produto, procurando a diversificação e a fidelização do auditório e dos seus clientes, no sentido de impedir que esta queda se possa repercutir de forma ainda mais grave, nomeadamente no que respeita às receitas publicitárias. A rádio tem necessidade de conhecer o seu público-alvo de forma a definir o seu posicionamento face a esta e outras matérias, como a formatação e definição de conteúdos. Para a elaboração das playlists nas rádios portuguesas, deve ser dada especial atenção aos conteúdos musicais e dirigir esses mesmos conteúdos para o seu público-alvo. O programador deve atender os ouvintes, ver o que eles querem, pois há diversos gostos nos diferentes públicos.
Outra das grandes conclusões passa pela cobertura da estação, sendo opinião generalizada que essa cobertura não pode ser definida por questões de ordem geográfica, como consta da actual Lei da Rádio, mas por questões de ordem sócio-cultural e sociológica, directamente relacionadas com o público-alvo que se pretende alcançar. Torna-se assim necessária, e urgente, uma revisão da legislação que regulamenta o sector, de forma a permitir o normal funcionamento das empresas de radiodifusão num mercado concorrencial.
Será fundamental existir uma maior identificação com o ouvinte.
No futuro a aposta das emissoras deverá centrar-se em conteúdos capazes de ligar os ouvintes e de promoverem uma ‘relação emocional‘. Muitas pessoas preferem a rádio a outros media, porque esta não é apenas música. È entretenimento, é diversão, é educação (enquanto podemos fazer outras coisas, pois não é preciso estarmos completamente tolhidos ao aparelho). Há um espírito de companheirismo com os bons locutores que deve ser incentivado. Esta deverá também ser uma forma de recrutar novos ouvintes e promover a imagem de cada rádio.
Contudo antes de investir numa grande operação de marketing há que saber se a mensagem a transmitir se identifica com o "target" e para isso é necessário conhecer ao pormenor o estilo de vida e os hábitos do público. Hoje em dia o computador torna tudo muito igual, não há ligação com o ouvinte. A Internet não dá para tudo, e hoje em dia as parece que as máquinas substituíram definitivamente a componente humana. Em certas “Rádios” só é preciso um técnico para carregar nos botões ao fim de semana, pois os programas estão todos gravados de véspera. Deviam inventar novos formatos em paralelo com as novas tecnologias e não a auto-limitação aos computadores e ás playlists repetitivas e previamente definidas.
Acabaram os programas de assinatura, ou programas de autor. Infelizmente já não há o romantismo do José Ramos os programas de musica Brasileira do José Nuno Martins, quase não há a possibilidade dos ouvintes participarem directamente em programas tipo fórum. Existe o da TSF destinado ao desporto, mas que infelizmente é muito fechado a um determinado tipo de audiência e modalidade. Deviam existir mais estações tipo o Canal 1, com a programação mais pessoal, emissoras mais populares, o Rádio Clube e os especialistas em informação. São necessários mais directos, pois perdeu-se a magia do directo, a espontaneidade, a frontalidade, o improviso dos tempos em que o Pedro Castelo entrava para a cabine com 30 discos debaixo do braço e fazia um programa. Tudo se foi excepto as memórias, talvez esta seja uma visão romântica, de quem não ouve rádio pela Internet (ficando a saber o que deu antes, o que está agora a passar, e já sabe o que vem a seguir), mas tenho saudades do Pão com Manteiga que quase fazia parar o País, do “Rock em Stock” do Luis Filipe Barros, o António Sérgio e o “Som da Frente”, do Júlio Isidro, do Fialho Gouveia e do Carlos Cruz, da 24ª hora, dos sorteios em directo que prendiam a audiência e faziam com que ninguém perdesse os programas, lembro-me (embora não apreciasse) do “Simplesmente Maria". São precisos mais “locutores” como o João Chaves e programas como o “Oceano Pacífico”. A rádio tem que ir de encontro ao que o publico quer, mas tem que se mostrar a esse público. Tem que ser imediatista, tem que dar o trânsito em directo, tem que produzir apontamentos de Jazz, de Cinema, tem que seguir os exemplos (e que neste caso são vantagens do Canal 1 da RR), do falar com as pessoas, da interactividade que é conseguida. Não se pode perder o combate e continuar a copiar o lado mau da tecnologia e frieza da Internet.
Isto tudo, porque sou do tempo em que a Rádio noticiava, o jornal publicava e a televisão mostrava. Quem tinha a verdadeira noticia?
Em termos técnicos, o futuro da rádio será Digital.
Sejamos claros, tecnicamente o futuro da rádio será digital. Só falta apenas definir a forma como isso irá ocorrer, bem como os timings em que essa digitalização irá acontecer. Como sabemos a Europa adoptou o DAB (Digital Audio Broadcasting, ou seja, emissão digital de áudio), que à excepção da Inglaterra não tem tido grande implantação, verificando-se até já alguma desactualização técnica, correndo o risco de já estar obsoleto antes de ser adoptado pela generalidade dos países europeus.
Efectivamente, este sistema não tem colhido a aceitação do público e dos fabricantes de receptores na Europa. Para que qualquer sistema se imponha no mercado é necessário que o Estado, os operadores e a indústria convirjam nos seus interesses, ora com o sistema DAB tem sido difícil encontrar essa convergência. O sistema é caro para os operadores, o Estado não tem dinheiro e não o quer financiar, a indústria não fabricará receptores baratos, enquanto o publico não os consumir massivamente. Outro dos problemas deste sistema, é que não permite uma evolução gradual do actual sistema analógico para o novo digital. Infelizmente, actualmente na Europa, em FM, não temos alternativa ao DAB. Só talvez a partir de 2008 poderá eventualmente iniciar-se gradualmente a passagem para o digital. Isto se as autoridades competentes aceitarem a continuação do uso das actuais frequências do FM. Mas mesmo que assim não seja, depois dessa fase da digitalização do FM, será mais fácil a passagem para o DAB. De qualquer modo convém referir que o várias vezes anunciado, fecho do FM não tem qualquer data prevista para o nosso país, o que nos parece dar alguma tranquilidade.

