2006/10/30

Ainda não foi desta que o Sol nasceu para o ciberjornalismo português.

Não esse, porque infelizmente à primeira vista, a oportunidade parece perdida.
Com efeito, após uma fortíssima campanha publicitária, com o recrutamento (ou melhor, transferência) de quadros importantíssimos de um dos media de referencia Nacional, que era o alvo a enfraquecer, eis que afinal a montanha parece ter parido um rato. Se na versão impressa, a euforia das primeiras semanas parece ter abrandado, na versão online, é caso para dizer que o desastre foi total. Um vazio em termos de design, exagero no recurso a blogues parecendo querer tapar o sol com uma peneira, com alguns links é certo, mas há muitos outros assim.

Mas porque dizer mal é muitas vezes considerado fácil, prefiro neste momento virar a agulha e voltar-me para o que parece estar a ser bem feito em termos do ciberjornalismo em Portugal.

Centrar-me-ei no Expresso Online, porque um jornal de referência, pertencente a um grupo de inegável peso no mosaico dos Media Nacionais, não pode defraudar as expectativas. De seguida tentarei explicar porque acho não ter falhado.

Como a maior parte dos ciberjornais, também o Expresso Online, descende da versão impressa da casa mãe, mas neste caso particular, não se limita a ser uma cópia digital da versão impressa como tantos outros. Com efeito, a usabilidade do Expresso Online contrasta de forma incontornável, com a maçada característica que é desdobrar o volumoso Expresso ainda que numa versão mais light, depois do facelift da última reentre. É realmente fácil o manuseamento do Expresso Online e a forma simples como encontramos o que pretendemos e navegamos interagindo com o seu vasto conteúdo de modo plenamente satisfatório. De notar de qualquer modo e para os menos integrados no ciberespaço a preocupação que tiveram com o menu rápido, ou seja, quase um “mapa do site”.

Com uma alargada variedade de links aos vários temas abordados e a criação de uma caixa de notícias na hora, ou as últimas, a hipertextualidade é uma constante, estando presente um pouco por todo o site. As notícias na hora transmitem valores de instantaneidade difíceis de igualar por outros media. Só a rádio consegue transmitir de forma mais rápida e quase que instantânea uma noticia.
A escolha desses links é automática na Internet e tornam a leitura realmente muito mais fácil, pois nos jornais de papel os leitores escolhem através das chamadas de capa, ou títulos mais sugestivos os “saltos” que vão querendo dar ao longo do jornal.

Esta hipertextualidade leva-nos de forma inegável a uma provocadora associação a outras das características do ciberjornalismo, a interactividade. É um facto que a comunicação passa a ser feita através de imputs em links ou hiperlinks, pelos vários menus que vamos pretendendo seguir, ou seja, a tecnologia promove e é mediadora dessa mesma comunicação. Esta interactividade é potencializada no Expresso pelos artigos de opinião, cidadão repórter, blogues e pelo fórum, no qual os leitores fazem comentários, trocam opiniões, ideias e sugestões, chegando mesmo a participar em eleições ou sondagens sobre todo e qualquer assunto.

Usufruindo de sinergias emanadas de dentro do próprio grupo empresarial ao qual pertence, o Expresso não deixa os créditos por mãos alheias e fazendo jus à sua enorme capacidade proporciona o colocar à disposição de vídeos, faixas áudio, fotos das fotogalerias, podcasts e soundbites, fazendo com que exista realmente o que podemos considerar multimedialidade, ou seja o multimédia está realmente presente neste site.

O Expresso não descura a possibilidade de com as enormes capacidades técnicas do hardware e software (tipo RSS) à disposição, ficar a melhor conhecer os seus “clientes”. Através dum registo simples e no qual não é preciso assinatura ou pagamento de qualquer fee mensal, o jornal consegue disponibilizar a cada cliente o conteúdo que mais se adapta aos seus gostos, hábitos e estilo de vida. E isto porque há muitas vidas fantásticas.