(Endre Friedman)
1913 - 1954
O Homem que se inventou a ele próprio.
1913 - 1954
O Homem que se inventou a ele próprio.
Introdução.
"Se as tuas fotografias não são suficientemente boas, é porque não estavas suficientemente perto".
Esta era a fórmula do sucesso, aliada a uma coragem fora do comum. Robert Capa, tinha um estilo muito particular, tendo por base fotografar sempre o mais próximo possível do objectivo, sendo deste modo que conseguiu preservar para a posteridade, conflitos e personalidades, de parte da primeira metade do Século XX.
Capa levou a máquina de fotografias para dentro da frente de batalha, numa zona onde nunca antes tinha estado, devido à capacidade que Capa tinha para adivinhar os momentos decisivos. Parte do seu trabalho foi conseguido à tecnologia que as pequenas e rápidas 35mm permitiam, mas as máquinas sozinhas não tiram fotografias.
Para conseguir algumas das fotos que fizeram dele um dos arquétipos do fotojornalista de guerra dos tempos modernos, Capa jogou uma longa partida de Roleta Russa que lhe viria a ser fatal. Muitas das suas fotos e reportagens estão retratados em grandes planos, que pela proximidade e necessidade de segurar a máquina, assim como de tirar a foto, nos permitem ter uma perspectiva de perceber os perigos que o fotógrafo correu. Exemplos do anteriormente afirmado, encontramos por exemplo na foto do soldado espanhol morto no campo de batalha e no desembarque na Normandia, dois dos mais representativos momentos em que podemos ter noção do quão próximo Capa estava da acção. Robert Capa não nasceu para ser fotógrafo de guerra, mas várias circunstâncias, fizeram com que essa carreira se viesse a desenvolver.
Os primeiros anos.
Endre Friedmann (o verdadeiro nome, e um dos que Capa utilizou durante parte da sua vida) nasceu em Budapeste a 22 de Outubro de 1913, filho de Dezso e Júlia Friedmann, judeus proprietários dum atelier de costura considerado de moda na altura. Contrastando com a enorme força de vontade da trabalhadora sua mãe, o seu pai era algo preguiçoso, irresponsável e com bom poder de invenção, desculpando-se constantemente para deixar o trabalho para trás, ficando até tarde a jogar cartas. Capa herdou do seu pai o dom e capacidade para transformar o mais simples dos acontecimentos, na mais fantástica das histórias. Nos últimos anos Capa conseguia mesmo divertir os seus amigos com a sua incomparável boa disposição, mesmo em locais devastados pelas atrocidades da guerra. László, o primeiro de três filhos de Júlia e Dezso, nasceu em 1911.
Quando Endre nasceu (dois anos mais tarde) e foi retirado da bolsa de águas da sua mãe, constataram que tinha muito cabelo e preto, mas mais estranho do que tudo, esta criança nasceu com um pequeno dedo extra, que foi removido de imediato após o parto. Os pais e os amigos interpretaram esta aberração como um sinal de que esta criança cresceria para se tornar num homem famoso. Um terceiro filho Kornel (mais tarde Cornell), que também foi fotógrafo, nasceu na Primavera de 1918.
Enquanto criança, Endre tinha bom aspecto, era bonito, charmoso, com uma forte personalidade e a quem as pessoas interpelavam na rua e cumprimentavam. Uma cabeleira negra e farta, largas e fortes sobrancelhas assim como os olhos negros, faziam lembrar um cigano. Ainda em criança tinha como alcunha "Bandi" que usou até aos vinte e poucos anos, até começar a sua carreira profissional. Como teenager era irreverente, independente e aventureiro. Um ousado esquiador que causava à sua mãe uma constante preocupação. Os seus amigos viam-no como um companheiro delicioso e fantástico entertainer. Mas também tinha um lado mais sério, um ávido leitor, especialmente interessado nos temas das reformas sociais e politicas. O seu mentor neste particular, o poeta e pintor "Lajos Kassak, foi o líder dum grupo dedicado à arte socialista avant-garde.
Como estudante o jovem Bandi aspirava a ser jornalista, uma profissão que lhe permitiria combinar o seu amor pela política e literatura. O Jornalismo parecia proporcionar uma promissora carreira para os jovens em Budapeste, uma cidade que tinha na altura doze jornais matutinos e sete vespertinos. Apesar de brilhante como era, infelizmente a perspectiva de Bandi entrar na Universidade na Hungria, não era muito boa, devido a motivos de ordem religiosos, limitarem drasticamente o número de alunos judeus que podiam ser admitidos. Nestes anos de juventude, Bandi expressava as suas frustrações políticas, participando em manifestações de rua e protestos contra o regime repressivo vigente na Hungria. Um dia na primavera de 1931, teve uma longa conversa com o movimento de recrutamento do partido comunista e ainda que em jovem tenha declinado juntar-se ao partido, estes contactos provocaram-lhe danos irreparáveis na sua imagem. Passou a ser observado pela polícia secreta, que chegou mesmo a invadir a habitação da família a meio da noite para o prender. Com a intervenção particular do chefe da polícia de quem a mulher era uma boa cliente do salão de costura da mãe Friedmann, Bandi foi libertado na manhã seguinte com a condição de deixar a Hungria nas semanas imediatamente a seguir. Foi assim que com dezassete anos de idade, o rapaz que mais tarde se havia de tornar em Robert Capa se tornou um exilado político.
Os primeiros tempos fora de Budapeste e o primeiro emprego.
Bandi Friedmann chegou a Berlim em Julho de 1931 e começou a participar nesse mesmo Outono no Deutsche Hochschule fur Politik, como estudante de Jornalismo.
Mais tarde nesse mesmo ano, ele descobre que devido à depressão, o negócio dos seus pais na Hungria estava a correr mal, impossibilitando-os de lhe enviar dinheiro para a sua formação e despesas particulares. Bandi resolve então arranjar um trabalho como moço de recados e assistente na "Dephot" uma importante agência fotográfica de Berlim, que era representada entre outros, por fantásticos fotógrafos tais como Umbo, Félix Man, e Walter Bosshard. O Director desta agência Simon Guttmann, cedo reconheceu enorme talento neste jovem. Entregou-lhe uma câmara e passou a mandá-lo à rua, para cobrir eventos locais de menor importância. Bandi recebeu o seu primeiro grande trabalho em Dezembro de 1932, quando Guttmann o mandou a Copenhaga para fotografar o exilado revolucionário Russo, Leon Trotsky que produziria um discurso para os estudantes Dinamarqueses. Este era um assunto particularmente querido para Bandi, devido às suas simpatias políticas com Trotsky, que se opunha veemente à forma como Staline estava a liderar a União Soviética.
Quando Hitler foi designado chanceler da Alemanha em Janeiro de 1933, Bandi que era esquerdista e Judeu, teve de fugir. De início foi para Vienna e depois obteve permissão para regressar a Budapeste.
A ida para Paris.
Depois do Verão vivendo em casa dos pais e fazendo alguns trabalhos fotográficos, ele deixou Budapeste em Setembro com destino a Paris, onde esperava encontrar o sucesso como fotojornalista. Em vez disso, encontrou pobreza, fome e xenofobia, minimizadas somente pela camaradagem da comunidade artística de Alemães, Húngaros e Europeus Ocidentais, refugiados em Montparnasse. Impossibilitado de ter qualquer trabalho fotográfico Bandi vivia da sua esperteza.
Foi provavelmente na Primavera de 1934 que Bandi conheceu André Kertész um Húngaro de quarenta anos que teve grande sucesso como fotógrafo. Os seus trabalhos que podiam ir desde o estilo de vida da classe mais favorecida de Paris, até à vida num Mosteiro, apareciam regularmente na revista francesa Vu. Pode dizer-se que Kertész e a sua mulher, adoptaram Bandi. Davam-lhe algum dinheiro, ajudavam-no a arranjar trabalho. Existia uma forte afinidade entre estes dois homens que olhavam para o seu semelhante com enorme carinho e aficcionada simpatia. Kertész foi um dos pioneiros na exploração artística e possibilidades fotojornalisticas da Leica de 35 mm, uma pequena câmara até então considerada como um brinquedo. Esta câmara foi inventada logo antes da 1ª guerra mundial, mas só apareceu no mercado a meio dos anos vinte. No seguimento do entusiasmo de Kertész, Capa reconheceu na Leica um enorme potencial como ferramenta para reportagem. A pequena Leica possibilitaria intrometer-se no meio da multidão durante manifestações e conseguiria fotografias que seriam impossíveis para um fotógrafo que carregasse material de maiores dimensões. Mais tarde Capa levaria a sua descoberta para um terreno ainda mais importante - a frente de batalha. Pouco depois da sua chegada a Paris, Bandi que agora começaria a chamar-se a ele próprio de André, (o formato francês do seu nome próprio) travou amizade com dois fotógrafos da sua idade. Um deles chamado David Szymin um intelectual refugiado Polaco, que assinava os seus trabalhos com o nome "Chim". O outro, Henry Cartier-Bresson nascido numa saudável e tradicional família francesa, que tinha construído a sua fortuna, na área de fabrico de produtos têxteis, estes três amigos passavam horas nos cafés de Monteparnasse, discutindo política e fotografia. Aprenderam muito uns com os outros, trocando experiências, encorajamentos e criticas. Junto com Kertész o seu mentor, eles eram os lideres da revolução fotográfica, provocada pelas pequenas câmaras e a resposta imediata, que Cartier-Bresson haveria de chamar como "o momento decisivo".
André conhece Gerda.
Em 1934 André conhece uma atrevida, descarada, ambiciosa e sofisticada jovem refugiada Alemã, com nome de Gerda Pohorylle, que tinha deixado a sua casa em Leipzig no ano anterior. Três anos mais velha do que André, tinha uma admirável parecença com a popular actriz Alemã Elizabeth Bergner, que tinha recentemente estado em Inglaterra a participar num bem sucedido filme, acerca da vida da Imperatriz Catarina - A Grande, da Rússia. Gerda tornou-se pouco tempo depois amante de André e efectivamente a sua agente de negócios. Ela persuadiu-o a mudar o seu estilo antes descuidado, vestuário de boémio e cabelo curto, para um aspecto mais profissional. Ela encorajou-o no trabalho e sempre que ele conseguia um trabalho ocasional, era ela que tratava dos contratos. Como esquerdista convicta, Gerda concorda com André que a fotografia pode dar um contributo importante para a causa anti-fascista. Ele começa a ensinar-lhe os conceitos básicos de fotografia e pensam funcionar juntos numa equipa para o futuro.
Na primavera de 1935, André vai para Espanha e começa a desenvolver diversos trabalhos proporcionados pelo seu antigo patrão na Dephot, Simon Guttmann, que continuava a viver em Berlim. Durante a sua viagem, André apreciou bem as semanas que passou em Sevilha, tendo fotografado as festividades da Páscoa e as procissões religiosas que as precedem. De qualquer modo, André não teve muita sorte ao tentar vender as fotografias e as suas ideias a editores Franceses. (Em 1935 durante a estadia em Paris e como não tinha sorte em arranjar trabalhos, André escreveu uma carta à sua mãe, na qual comentava: "eu tenho que passar para a industria dos filmes, porque não tenho esperança na fotografia"). Um problema que André tinha é que mal falava francês. Ele podia fazer o seu dia a dia com um francês rudimentar, mas os editores tinham tendência a ver como pouco profissional, qualquer um que não falasse um francês fluente. Outro problema foi que tinha trabalhado em Paris um outro fotógrafo, chamado Georges Friedmann, tendo de facto provocado alguma confusão, pois as revistas geralmente davam o último nome para a impressão nos registos editoriais.
O "nascimento" de Robert Capa.
Por esta razão em 1936, André e Gerda decidem inventar um encantador e bem sucedido fotógrafo Americano com o nome de Robert Capa. Quando Gerda fazia as suas voltas pelos escritórios editoriais, ela dizia que as fotografias de André eram de Capa - e dizia também aos editores que lhes estava a fazer um favor, ao dar a oportunidade de comprarem o trabalho deste genial artista. Como este fotógrafo ima-ginário era riquíssimo, os seus trabalhos tinham um valor que era o triplo dum trabalho normal para a época. Convenientemente impressionados, os editores compravam as fotografias e editavam-nas.
André provavelmente desenvolveu o seu novo nome a partir do de Frank Capra, o director de Hollywood que tinha ganho fama internacional por alguns filmes como "Platinum Blonde" (1931) e "It Happened One Night" (1934), com Claudette Colbert e Clark Gable. Como jovem que aspirava entrar na indústria do cinema, André deve ter tido esperança que o pseudónimo, semelhante ao nome de um dos maiores nomes da direcção de Hollywood, lhe trouxesse sorte.
O nome Robert também tem as suas raízes no cinema, no do actor Robert Taylor, que em 1936 participou com Greta Garbo um filme de amor chamado "Camille". Tal como "Capa" também "Robert" era fácil de pronunciar, fácil de soletrar e fácil de lembrar. Quando André cobriu a Guerra Civil de Espanha este novo nome suava convenientemente Espanhol, especialmente com a conversão simples de Robert para Roberto, como os seus amigos em Espanha o chamavam. Na mesma altura, também Gerda tomou para ela um igualmente pseudónimo cosmopolita. A partir de 1936, ela passaria de Gerda Pohorylle para Gerda Taro, um nome obtido por empréstimo de uma jovem pintora Japonesa que vivia em Paris, Taro Okamoto.
Rapidamente o misterioso Capa torna-se bastante famoso e requisitado. Quando a burla foi descoberta, pelo editor Lucien Vogel da Vu e ainda que os restantes clientes não se importassem, André toma consciência, que deve mudar o seu nome definitivamente para Robert Capa e viver com a reputação desta criação do seu imaginário.
Entretanto em Paris durante a primavera de 1936, Robert Capa fotografou as tumultuosas manifestações antes e depois da eleição da coligação de Liberais, Socialistas e Comunistas, conhecida como a Frente Popular, liderada por Léon Blum. Como a Europa se tornou polarizada entre fascistas e anti-fascistas, os confrontos abundavam.
Em Espanha tira uma das fotos mais importantes da sua carreira.
A erupção da Guerra Civil Espanhola em Julho de 1936 deu finalmente aos anti-fascistas a oportunidade de confrontar o fascismo militarmente. Em Agosto, Capa vai para Espanha com Gerda Taro para cobrir a resistência do governo republicano aos rebeldes fascistas do General Francisco Franco. As fotografias de Capa tiveram um tremendo impacto, quando foram publicadas nos Jornais Franceses e algumas revistas como a Vu, a Weekly Illustrated em Inglaterra, a LIFE nos Estados Unidos, todas elas com altos valores de tiragem. Na era da pré-televisão, o publico dependia inteiramente de publicações para uma informação visual sobre acontecimentos correntes e as fotos de Capa eram neste campo imbatíveis, como nunca anteriormente fortíssimas e de efeito comunicativo imediato.
Durante a sua primeira viagem cobriram toda a luta desde o Norte até ao Sul na Andaluzia e foi aí que Capa, fez a fotografia de um militar republicano a ser alvejado - talvez a melhor a fotografia de guerra, alguma vez conseguida. Esta foi também a fotografia de Capa que mais controvérsia gerou, por questões que apareceram não só por causa do local de onde Capa conseguiu esta foto, mas também pela clareza, transparência e/ou veracidade de uma foto não preparada ou prevista (pois era impossível haver pose para a morte).
Agora sabemos que Capa fez esta fotografia do "Falling Soldier" em Cerro Muriano a norte de Córdoba no dia 5 de Setembro de 1936, também sabemos agora o nome do homem na fotografia - Federico Borrell Garcia, que morreu em Cerro Muriano, conforme registo dos arquivos do Governo Espanhol.
De qualquer modo soldados espanhóis nunca em circunstância alguma, poderiam posar para fotógrafos, propondo mostrar-se a eles próprios a serem mortos. De certeza que eles tinham medo de que fazer isso, lhes poderia trazer a pior das sortes. Se eles quisessem aparecer em fotografias, de certeza que insistiriam em imagens que transmitissem o conceito de vitória. Quando foi questionado acerca desta foto em 1937, Capa replicou " não são necessários truques para tirar fotografias em Espanha. Não é necessário posar para a câmara. As fotos estão lá. Só temos que as tirar. A verdade é a melhor fotografia, a melhor propaganda".
Depois de toda a controvérsia e especulação, a fotografia "Falling Soldier" de "Capa" é de facto um símbolo de todos os leais soldados, que morreram na guerra e da própria Républica Espanhola em si mesma, demonstrando a bravura daquele povo.
No início de Novembro de 1936, Capa foi para Madrid (sem Gerda Taro) para cobrir a resistência às forças fascistas que faziam o ataque à cidade a partir de sul e oeste. Quase miraculosamente a capital foi salva pela chegada de um largo número de voluntários estrangeiros,"As Brigadas Internacionais".
Como Franco tinha recebido ajuda da Alemanha e Itália, muitos jovens (rapazes e raparigas) da Europa e América sentiram que se voluntariamente ajudassem o lado governamental, pelo menos tinham uma oportunidade de lutar contar o fascismo e infligir uma derrota decisiva, de forma que o fascismo fosse universalmente desacreditado. As Brigadas Internacionais proclamavam " Madrid será a tumba do fascismo!" Eles esperavam que uma vitória anti-fascista em Espanha, pudesse impedir uma Guerra Mundial que de outro modo parecia inevitável.
Capa continuou em Madrid durante um mês fotografando não só as lutas mas também os civis, lutando pela sobrevivência, nas duramente bombardeadas zonas e bairros da classe baixa e média (os pilotos de Franco tinham ordens expressas para não largar bombas nas áreas e zonas onde vivia a classe mais abastada de Madrid, onde estariam normalmente apoiantes dos fascistas).
O jornal esquerdista francês Regardes publicou fotografias sensacionais de Capa em Madrid em quatro edições, neste ponto, a transformação de Andre Friedmann estava completa, não se tinha tornado só em Robert Capa, mas também num legendário fotógrafo de guerra.
Capa sabia que era absolutamente vital para ele, ajudar a causa anti-fascista com a sua câmara. Ele era partidário tal como qualquer outro membro das Brigadas Internacionais e sentia uma tremenda responsabilidade em fazer as mais "fortes" fotografias que pudesse, de forma a conseguir persuadir o Mundo a intervir em ajuda do governo Espanhol. Muitas das suas fotografias, foram reproduzidas, não só em revistas e jornais Europeus e Americanos, mas também em panfletos publicados pelo próprio governo Espanhol e por outras organizações de auxílio público.
Durante o Inverno e Primavera de 1937, Capa visitou inúmeras frentes em Espanha, sozinho ou com Gerda Taro, que se tornou ela própria uma fotojornalista independente. Eles cobriram o êxodo de Málaga, o contínuo cerco a Madrid e as lutas nas montanhas à volta de Segóvia a nordeste da capital. As fotografias de Capa da última frente, em conjunto com descrições de pessoas e eventos que ele relatou ao seu amigo Ernest Hemingway, forneceram muitos detalhes, que o escritor introduziu no seu romance "For Whom the Bell Tolls".
Em Julho de 1937 Gerda Taro cobrindo a batalha de Brunete a oeste de Madrid durante uma retirada confusa foi esmagada por um tanque. O partido Comunista Francês promoveu-a como heroína e organizou-lhe um grande funeral, sendo sepultada em
Pére Lachaise, tendo o grande escultor modernista Alberto Giacometti criado um monumento para a sua campa. Capa que tinha desejado casar com Gerda nunca recuperou totalmente da sua morte.
Estados Unidos, China e o dia "D".
Em Agosto foi para Nova Iorque para visitar a mãe e o irmão Cornell, pois ambos tinham emigrado para os Estados Unidos nesse ano. Em Nova Iorque negociou contrato com a LIFE que regularmente publicaria fotos suas durante muitos anos.
No início de 1938 Capa foi para a China onde trabalhou com Joris Ivens num filme documentário, acerca da resistência Chinesa à invasão Japonesa, que tinha começado no ano anterior. As grandes fotos de Capa durante estes 6 meses na China documentam a vida em Hankou sobre bombardeamento Japonês. Como ele fotografou a vida no meio de ruínas, Capa estava constantemente a relembrar-se de cenas que tinha testemunhado em Madrid, tendo deixado a China em Setembro de 1938 pouco antes de Hankou ter caído sob domínio Japonês.
No início da 2ª Guerra Mundial na Europa em Setembro de 1939, o governo francês capturava muita gente suspeito de simpatias com a esquerda, pressentindo essa ameaça, vai para Nova Iorque onde começa a trabalhar em variadíssimas historias para a LIFE. No ano a seguir, os editores mandaram-no para o México, com o intuito de cobrir a campanha e as eleições presidenciais.
Embora o governo dos Estados Unidos tecnicamente visse Capa como um "inimigo estrangeiro" durante a 2ª Grande Guerra (sendo ele um cidadão Húngaro e a Hungria fosse aliada da Alemanha), ele tinha-se tornado um correspondente de guerra da LIFE, acreditado pelo exército dos Estados Unidos. Depois de documentar a sobrevivência dos Londrinos (Blitz), ele passou a cobrir batalhas de algumas das maiores frentes no Norte de Africa, Sicília, Itália, França e Alemanha. Num dos seus mais famosos trabalhos Capa desembarca com a primeira vaga de tropas Americanas na praia de Omaha, na Normandia no dia "D", 6 de Junho de 1944. Explicando esta experiência no seu livro de memórias de guerra, "Slightly Out of Focus", Capa escreve: "O correspondente de
guerra tem a vida nas próprias mãos e pode optar por este cavalo, por aquele cavalo, ou pode não apostar em nenhum no último minuto. Eu sou um jogador, decidi avançar com a Companhia E, na primeira vaga".
Às três horas da manha do dia D, o pequeno almoço da pré-invasão composto por bolos quentes, salsichas, ovos e café foi servido a bordo do barco dos Estados Unidos onde Capa seguia. Uma hora mais tarde os homens (incluindo Capa) agrupavam-se silenciosamente no deck principal e começavam a preparar os botes de invasão, que seriam lançados a um mar muito bravo.
"Eu acabei as minhas fotografias e o mar estava frio nas minhas calças. Relutantemente eu tentava mover-me e sair da minha guarida provisória, mas as balas perseguiam-me a todo o momento. Alguns metros acima de mim, um dos nossos tanques anfíbios, semi-queimado, imobilizado na água oferecia-me a minha própria paragem. Pelo meio de corpos a flutuar, alcancei-o, parei um pouco para mais umas fotografias e apertei as tripas para o último salto até à praia…A praia dava-nos alguma protecção, ás balas das metralhadoras e espingardas desde que estivéssemos deitados, mas a maré empurrava-nos contra o arame farpado, onde as armas esperavam por nós. Eu tirei a minha segunda câmara e comecei a fotografar sem levantar a cabeça.
Desde o ar, nós devíamos parecer tal e qual uma lata aberta de sardinhas. Fotografado do ponto de vista das "sardinhas" o primeiro plano das minhas fotografias, era um conjunto de botas molhadas e caras verdes abaixo das botas o meu enquadramento era preenchido por fumo, tanques a arder e barcas submersas". Capa estava equipado com três câmaras durante este desembarque: duas Contax Reflex de 35mm com lentes simples, cada uma delas com rolos para 36 fotografias a preto e branco, assim como uma Rolleiflex. Ele utilizou a Rolleiflex para as fotografias a bordo do barco de transporte e também nas lanchas utilizadas no desembarque até à praia de Omaha. Logo que desembarcou e tocou a praia, ele trocou também para a primeira das Contax. Quando acaba esse primeiro rolo, constata que as suas mãos estão a tremer de tal forma, que lhe é impossível introduzir um novo rolo na câmara. Decide voltar atrás, até ao barco médico que estava a tratar de evacuação de alguns feridos. Assim que chega a essa embarcação, passa novamente a utilizar a Rolleiflex.
A lancha de desembarque, levou Capa de volta ao barco de transporte, onde ele fotografa (ainda com a Rolleiflex) cadáveres em sacos sendo depositados no deck do navio. Ele tencionava voltar para a praia, mas como estava exausto acabou por se deixar adormecer. Quando acordou o barco estava de regresso a Inglaterra. Ele entregou os negativos dos filmes a um mensageiro que os transportaria de moto ate aos escritórios da LIFE em Londres, onde seriam revelados e depois de passarem pela “censura”, enviados para Nova Iorque para publicação. De forma a não perder tempo e tentar cumprir os prazos para a revista da semana a seguir, um jovem técnico de revelação da LIFE, Dennis Banks, ao fechar as portas e sem qualquer tipo de ventilação, colocou de tal forma quente o cacifo onde tinha os filmes a secar no quarto escuro, que estes começaram a derreter. Quando se apercebeu do que estava a acontecer, todas (excepto onze) as setenta e duas fotografias tiradas por Capa com as Contax - com enormes riscos para a sua vida - estavam arruinadas. Os negativos da Rolleiflex não foram danificados. Quando as famosas imagens de soldados americanos desembarcando na Normandia foram publicadas pela primeira vez, a LIFE comunica que é devido aos fortes tremores do fotógrafo, que as fotografias estão ligeiramente desfocadas.
A vinte e cinco de Agosto 1944, Capa chega a Paris, a cidade onde tinha vivido antes da guerra com a divisão dos blindados franceses para a libertação. Em Slightly Out of Focus, ele escreveu: " A estrada para Paris está aberta e cada parisiense está na rua, para tocar o primeiro tanque, beijar o primeiro homem, para cantar e chorar. Nunca tantos aqui estiveram tão contentes assim tão cedo de manhã. Senti que esta entrada em Paris, tinha sido feita especialmente para mim, num tanque construído por Americanos que me tinham aceite, com Espanhóis com quem tinha combatido o fascismo anos antes, eu regressava a Paris - a linda cidade onde eu aprendi a comer, beber e amar…
A nossa primeira paragem foi em frente ao Café de Dome em Monteparnasse. A minha mesa favorita estava vazia. Raparigas com vestidos coloridos, subiam aos tanques e o seu baton rapidamente cobria as nossas faces. Perto da Câmara dos deputados, tivemos de lutar, tendo esse baton sido lavado com sangue. À noite Paris era livre."
Com o final da Guerra, Capa foi tentado pelo cinema.
Durante o resto da vida de Capa, Paris foi o seu quartel-general, a base de operações para as suas viagens à volta do mundo. E foi também em Paris, que em Junho de 1945 Capa e Ingrid Bergman se conheceram e apaixonaram. Cornell Capa lembra-se do seu irmão na cozinha em Nova Iorque, dizendo que tinha um grande segredo. Robert fê-lo prometer que nunca contaria a ninguém e então comunicou que estava a ter um caso com uma actriz. Enquanto cortejava Bergman em 1946, Capa passou alguns meses em Hollywood, aspirando a ser produtor e escrever Slightly Out of Focus. Capa passou muito tempo fotografando Ingrid nas filmagens do filme Notorious, dirigido por Alfred Hitchcock. Mais tarde Bergman, revelou nas suas memórias que chegou a desejar casar com Capa, mas a morte de Gerda Taro, deixou-o com o sentimento de que nunca poderia casar com ninguém, nem sequer com Ingrid Bergman, pois ele achava que estando casado, não se sentiria livre para aceitar trabalhos mais perigosos.
Depois de alguns meses em Hollywood Capa sentiu-se profundamente desiludido com a indústria do cinema, não sem que antes tivesse participado, como um criado Egípcio de nome Hamza, no filme Temptation, onde o seu antigo amigo Charles Korvin também participava.
Desiludido com Hollywood, Capa torna a fazer o que melhor sabe.
Em 1947 Capa e os seus amigos Henri Cartier-Bresson, David Seymour, ("Chim"), George Rodger e William Vandivert fundaram a Magnum uma agência fotográfica. Este importante passo foi muito pensado e desenvolvido, tendo por base uma ideia que Capa tinha construído em dez anos de carreira, como uma solução para a insatisfação existente com outras agências de fotografias. Para o resto da sua vida Capa devotou muito do seu tempo para dirigir os escritórios da Magnum em Paris e Nova Iorque. Deu muito do seu entusiasmo aos jovens fotógrafos entretanto convidados a integrar a agência. Considerava-os como uma extensão à sua própria família e fazia tudo o possível, para os ajudar a formar em termos profissionais e de personalidade. Trabalhou bastante para lhes arranjar trabalho, encorajando-os, levando-os a festas e jantares. Além disso ele recomendava-lhes, " Gostem de pessoas e deixem-nas saber disso" isto foi o que Capa exemplarmente fez, desde sempre para ele próprio. Vivendo em Paris nos finais dos anos 40 e início dos anos 50, Capa desfrutou de uma vida de encantos fúteis, noites nos bares com lindíssimas mulheres e jogos de Poker até de madrugada, com o seu amigo chegado John Huston, o dançarino e estrela de cinema Genn Kelly e o colunista Americano Art Buchwald.
Todas as diferentes coisas que ele tentou fazer depois da guerra, foram a escrita sobre ele próprio, que lhe deu mais satisfação. Para a revista Holiday ele escreveu vários artigos sobre esquiar nos Alpes, festas e jogatinas em locais como Deauville e Biarritz, e as suas viagens e aventuras em Países como a Noruega e Hungria. Ele adorava a sua nova assinatura "por Robert Capa, com fotografias do Autor".
Ainda nos finais dos anos 40, Capa colaborou em alguns projectos com amigos escritores. Em 1947 esteve cerca de um mês viajando com John Steinbeck pela União Soviética, o livro entretanto produzido tinha texto de Steinbeck e fotos de Capa. No ano seguinte Capa visitou a Hungria, Polónia a Checoslováquia com o reconhecido jornalista Theodore H.White e em 1949 com Irwin Shaw, produziram um livro com o título "Report on Israel".
Capa começava a pensar no futuro em termos de trabalhos completos, ou seja da combinação de escrita com fotos, tendo mesmo quatro obras concluídas: "Death in the Making" relatando a guerra civil de Espanha, "Waterloo Bridge" Blitz Londrino, "A Russian Journal" e "Slight out of Focus" entretanto vendido a Hollywood mas nunca filmado. O seu estilo literário é muito próprio "Para mim a guerra é como uma actriz a envelhecer, cada vez mais perigosa e menos fotogénica"
Durante o inicio dos anos 50, Capa dirigia a Magnum, desfrutava da sua vida cosmopolita, trabalhava nas suas histórias de viagens e trabalhos publicitários para filmes como "Beat the Devil" de John Huston e "Invitation to the Dance" de Gene Kelly. Tudo isto foi de repente interrompido em 1953, devido a falsas suspeitas de que Capa tinha sido comunista, o Governo dos Estados Unidos suspendeu-lhe o passaporte. (Ele tinha-se tornado cidadão Americano ainda que vivesse a maior parte do tempo em Paris). Durante alguns meses esteve retido em França, impossibilitado de viajar para o seu trabalho. Mais tarde teve problemas de saúde (coluna) sendo hospitalizado em Londres. Depois de uma convalescença de dois meses e meio em Klosters a sua estância de esqui favorita, Capa estava ansioso por voltar ao trabalho, especialmente excitado pela perspectiva da viagem para o Japão. Mainichi Press convida-o para uma estadia de seis semanas entre Abril e Maio de 1954, num trabalho fotográfico para uma nova revista, mas o destino quis que a viagem de Capa fosse interrompida no final de Abril, quando Howard Sochurek, fotógrafo da LIFE, que tinha estado na cobertura da guerra da Indochina nos últimos meses, teve que regressar inesperadamente aos EUA.
A ultima tentação.
Procurando um substituto a LIFE fez uma proposta irrecusável a Capa, que estava um pouco distante e desinteressado nos contactos estabelecidos com os editores da LIFE, ainda que necessitasse bastante do dinheiro para pagar as contas e despesas do internamento no Hospital no ano anterior.
Se a situação degenerasse e tivesse que cobrir situações de combate teria pagamento extra e o mesmo aconteceria por qualquer fotografia que a LIFE publicasse. Como o contrato com a Mainichi possibilitava que Capa se libertasse para qualquer trabalho desde que fosse fora do Japão e que Capa regressasse posteriormente para terminar as seis semanas de contrato que estavam combinadas, não haveria problema em fazer esse trabalho para a LIFE.
No Domingo 2 de Maio, Capa voa para Bangkok onde espera alguns dias pelo visto. Finalmente chega a Hanoi a 9 de Maio, um pouco antes, Dienbienphu tinha caído para as forças vietnamitas "Aqui estou eu em Hanoi " escreveu ele para o escritório da Magnum em Paris, "e a história acabou antes que eu tocasse sequer numa das minhas câmaras". Ele não perdeu contudo toda a história de Dienbienphu, os vietnamitas anunciaram que iriam autorizar os franceses a evacuar cerca de setecentos e cinquenta soldados feridos, dos cerca de mil que tinham sido feitos prisioneiros. Capa e repórter da LIFE, Don Wilson partem para Luang Prabang para cobrir a operação.
Depois de alguns dias em Hanoi, Capa e John Mecklin voam
para Namdinh com o General Rene Cogny comandante das forças francesas a Norte do Vietname, que fazia a viagem para inspeccionar a legião de tropas estrangeiras e esforçar-se por levantar a moral que tinha sido tragicamente abalada com a queda de Dienbienphu. Durante o almoço Capa e Mecklin, aceitaram o convite do Coronel Jean Lacapelle's para irem com ele numa missão evacuar e destruir dois pequenos fortes, Doaithan e Thanhne, junto à estrada de Nandinh para Thaibinh.
Às sete da manha do dia seguinte terça 25 de Maio, um jipe parou no Modern Hotel para ir buscar Capa, Mecklin e Jim Lucas correspondente da Scripps-Howard.
Capa equipou-se para este dia, não só com a Contax carregada com filme a preto e branco, mas também uma Nikon com filme a cores, um frasco de Cognac e uma termos cheia de chá gelado. A coluna de soldados e jornalistas detinha-se várias vezes ao longo do dia por causa de minas e atiradores furtivos. Durante uma dessas paragens, Capa fotografou um pelotão avançando através de altas relvas. Uma fotografia a preto e branco e uma outra muito idêntica a cores, foram as ultimas fotografias que Capa tirou. Ao ladear um ligeiro declive, calcou uma mina anti-pessoal. A sua Contax ficou presa na mão esquerda, tendo a Nikon sido projectada alguns metros com a explosão. Capa foi levado para Dongquithon a cerca de 5 Km, onde um Médico o declarou morto.
Graças à intervenção do seu amigo John Morris, Capa foi sepultado no cemitério de Amawalk perto de Yorktown, Nova Iorque. Durante as exéquias, Edward Steichen disse " Capa compreendeu a vida, tendo--a vivido intensamente, deu à vida a importância que ela deve ter, viveu valentemente, vigorosamente e com uma rara integridade". Ernest Hemingway escreveu (desde Madrid) "Capa foi um grande amigo e um fantástico fotógrafo. È um tremendo azar que as estatísticas o tenham apanhado a ele. Foi especialmente mau para Capa, uma pessoa com tanta vida, que é para mim um duro e longo dia, este a pensar nele morto".
John Steinbeck, escreveu sobre o seu amigo " Capa sabia onde procurar e o que fazer quando o encontrava. Ele sabia por exemplo que não se pode fotografar guerra, porque é um tópico largamente emocional. Mas ele fotografou essa emoção, porque estava ao lado dela. Ele pôde mostrar o horror de todo um povo na face de uma criança. A sua câmara captava e segurava emoções, as suas fotografias não eram acidentes. A emoção naquilo que fazia não vinha por acaso. Ele podia fotografar movimentos, o vento, impulsos, a alegria e a tristeza. Todo o trabalho de Capa é em si mesmo uma fotografia de um grande coração e de tristeza. Ninguém poderá ocupar o seu lugar. Ninguém pode ocupar o lugar de um artista de eleição, mas nós temos a sorte, de poder rever nos seus trabalhos, a qualidade do homem".
Robert Capa auto intitulava-se sempre como um fotojornalista, não um artista. Mas ele tinha o espírito do verdadeiro artista, desenvolveu o seu trabalho com uma grande inteligência, paixão, garra, sensibilidade, engenho e graça.
Numa experiência chamada "What is art?" Leo Tolstoy respondia a esta questão dizendo, "Arte é uma actividade humana consistindo em que um homem, conscientemente e através de diversos sinais, consiga transmitir sensações, por quais ele próprio passou. Ele comunicava através das fotos duma forma, que os outros eram infectados por todas estas sensações e experiência vividas por ele". Se nós aceitarmos esta definição, quem poderá negar que Robert Capa foi um grande artista?
Ninguém que assista ao noticiário na televisão, precisa de olhar para as fotos de Capa para se lembrar do quanto terrível e violento lugar pode ser o nosso mundo. A mais importante finalidade do trabalho de Capa, é que nos mostrou imensos momentos, nos quais o espírito humano individual, triunfou sobre a adversidade e o mal. Ele faz-nos recordar, com uma suprema eloquência visual, que a coragem, bondade e optimismo das pessoas vulgares, são as mais efectivas e heróicas formas de defesa contra as forças obscuras.
Resumo.
Em Maio de 1954, a carreira de Robert Capa chega a um final abrupto quando ele pisa uma mina no obscuro campo de batalha na Indochina.
Capa era de certo modo um pouco descuidado como fotógrafo, mas bastante cuidadoso e atento como homem. Participou com extrema coragem em bastantes conflitos da sua época sem nunca perder a razão e foi sempre extremamente rápido a decidir de que lado estava a verdade, assumia os risco inerentes à profissão que de qualquer modo eram calculados para não aleijar ninguém mais, do que a ele próprio, se alguma coisa corresse mal. Tal como outros, tinha defeitos, mas que eram invariavelmente compreendidos e as suas virtudes nunca aborrecidas. Era um cidadão do Mundo, sentindo-se em casa em qualquer das grandes capitais, enquanto que um pouco desconfortável no seu próprio País.
Conhecia muito bem a guerra, por isso a desprezava e sonhava com a paz, embora não a acreditasse possível. Nunca discutiu aprofundadamente as suas afecções, mas sofria bastante com a solidão, insegurança e desgostos amorosos.
Morreu com uma câmara na mão tendo assim terminado o seu percurso, deixando-nos um vasto leque de fantásticas fotografias que retratam grandes momentos da nossa história.



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